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Crateras Halo Escuro

Crateras de Halo Escuro: “Cinzas Vulcânicas” X “Cryptomare”:

Os halos escuros no entorno de crateras apresentam, como o próprio nome diz, baixo albedo (taxa de reflexão de luz), o que faz com que se destaquem do albedo da superfície circundante.

Uma cratera de halo escuro pode ser uma pequena cavidade que teve sua origem no vulcanismo, sendo que, o halo escuro do seu entorno, foi formado por deposição de material piroclástico ou cinzas vulcânicas. As cinzas escuras presentes no halo indicam que ali, no passado lunar, ocorreram erupções. Minúsculas cavidades desse tipo podem ser encontradas, por exemplo, no interior da grande cratera ALPHONSUS (diâmetro: 111 Km, profundidade: 2,73 Km) e no interior da grande cratera ATLAS (diâmetro: 87 Km, profundidade: 2,05 Km).

Imagem: O piso interno da grande cratera ALPHONSUS hospeda minúsculas crateras de halo escuro (no detalhe dos círculos amarelos), de origem vulcânica. Nesse caso, os halos escuros foram causados por cinzas vulcânicas (material piroclástico), criadas por erupções através das pequenas cavidades. Foto em 11‎ de ‎novembro‎ de ‎2013, ‏‎21:41:36.

Imagem: Composição fotográfica mostrando as crateras HERCULES e ATLAS em dois tempos. Note os depósitos de cinzas vulcânicas (material piroclástico) no entorno de minúsculas cavidades (imperceptíveis na foto - no detalhe dos círculos amarelos), no piso interno de ATLAS. Esquerda: 08‎ de ‎abril‎ de ‎2012, ‏‎02:14:48. Direita: 10‎ de ‎abril‎ de ‎2012, ‏‎05:07:24.

Porém, uma cratera de halo escuro também pode ter sua origem num impacto de um corpo vindo do espaço. Nesse caso, o halo escuro foi formado por material escuro escavado (basaltos de antigos maresque estava escondido sob uma camada de material mais jovem e claro (alto albedo) que foi depositada por sobre a região. A referida camada de material claro teve sua origem nos materiais ejetados pelos impactos que criaram grandes bacias ou as crateras existentes nas terras altas próximas. Nesse caso, o halo escuro revela antigos materiais oriundos de cryptomare. Um exemplo desse tipo de cratera (criada por impacto e circundada por halo escuro de material escavado, oriundo de basaltos de antigos mares) pode ser encontrado próxima da orla noroeste do Mare NECTARIS, na região da grande cratera THEOPHILUS (diâmetro: 110 Km, profundidade: 4,1 Km) . Estamos falando da pequena cratera de impacto Beaumont L (diâmetro:4 Km, profundidade: 0,9 Km). Outro exemplo, é a pequena cratera Copernicus H (diâmetro: 4,5 Km, profundidade: 1,1 Km), localizada a aproximadamente 30 Km a sudeste da grande e destacada cratera COPERNICUS (diâmetro: 93 Km, profundidade: 3,8 Km).

Um depósito de cryptomare pode ser definido como parte integrante de antigas planícies vulcânicas (antigos basaltos), que foram posteriormente cobertas (enterradas) por camadas de materiais mais recentes e claros, ejetados pelos impactos que criaram bacias próximas ou as crateras das terras altas. A camada de material claro mascara a superfície basáltica anterior verdadeira, tornando-a oculta ou enterrada (crypto).

O estudo das crateras de halo escuro ("dark halo craters") pode fornecer informações importantes sobre a geologia, mineralogia e evolução de certos depósitos de materiais de origem vulcânica (cryptomare), que foram escondidos ou soterrados abaixo de camadas com materiais com alto albedo.

Antigas pesquisas selenográficas (e outras mais recentes utilizando tecnologia de radar) identificaram "cryptomaria" com base em assinaturas de ferro e de titânio dentro do terreno das terras altas, e também, pela presença de crateras com halos escuros, detectadas opticamente, formados por material máfico (mineral, magma ou rocha ígnea que seja rica em ferro e magnésio, porém pobre em sílica) escavado de certa profundidade.

 

A pequena cratera Copernicus H:

Copernicus H– pequena cratera de halo escuro.

Diâmetro: 4 Km;

Profundidade: 1.130 m;

Coordenadas Selenográficas: LAT: 06.89° N, LON: 018.29° W;

Melhor período para observação: 2 dias após à fase quarto-crescente ou 1 dia após à fase quarto-minguante.

Copernicus H caracteriza-se como uma pequena cratera de impacto de morfologia simples, com formato de tigela e piso interno arredondado. Copernicus H apresenta-se circundada por um halo de material escuro. Essa pequena cratera possui 4,5 Km de diâmetro e cerca de 1,1 Km de profundidade.

A diferenciada cratera Copernicus H deriva seu nome da grande, bela e proeminente cratera COPERNICUS (diâmetro: 93 Km, profundidade: 3,8 Km), que está localizada a aproximadamente 30 Km a noroeste do ponto de impacto de Copernicus H. Esse nome homenageia Nicolaus Copernicus (1473 - 1543), que foi um famoso astrônomo e matemático renascentista, que formulou um modelo do Universo colocando o Sol, em vez da Terra, no centro do Universo, possivelmente independentemente de Aristarcjus de Samos, que tinha formulado tal modelo antes de Copernicus. Nicolaus Copernicus nasceu e morreu na antiga Prússia Real, uma região que fazia parte do Reino da Polônia desde 1466.

A cratera Copernicus H foi alvo de observação da sonda Lunar Orbiter 5 da NASA em 1967. Nessa época, acreditava-se que Copernicus H, fosse uma pequena cratera de origem vulcânica, com halo escuro criado por cinzas. Porém, fotos orbitais da sonda Lunar Orbiter 5, mostraram blocos de material ejetado (pedregulhos) no entorno do aro externo, similar ao que existe junto ao aro de outras crateras de impacto de mesmo diâmetro. Isso indicou que Copernicus H tinha sua origem real num impacto de um corpo vindo do espaço e não no vulcanismo. O halo foi resultante da escavação pelo impacto, de material mais escuro (basalto de mar) que estava suplantado (cryptomare) sob uma camada de material mais jovem e claro.

Imagem: O Perfil Altimétrico W - E da pequena cratera de halo escuro Copernicus H - NASA / LRO QuickMap.

Imagem: O Perfil Altimétrico N - S da pequena cratera de halo escuro Copernicus H - NASA / LRO QuickMap.

ImagemA pequena cratera de halo escuro Copernicus H, fotografada em voo orbital pela sonda robótica americana Lunar Orbiter 5, da NASA.

Composição fotográficaA pequena cratera de halo escuro Copernicus H, fotografada em voo orbital pela sonda lunar robótica americana LRO, da NASA.

ImagemFoto em "close up" obtida em voo orbital pela sonda lunar robotica LRO da NASA, mostrando blocos de materiais ejetados (pedregulhos) no entorno do aro externo norte da cratera Copernicus H - NASA / LRO.

ImagemLua cheia apresentando a abrangência da foto enfocando a cratera Copernicus H - VTOL.

Foto executada com apenas 1 frame em 30‎ de ‎maio‎ de ‎2012, ‏‎21:32:44 (00:32:44 UT).

 Foto executada com apenas 1 frame em ‎30‎ de ‎maio‎ de ‎2012, ‏‎21:32:36 (00:32:36 UT).

 

A pequena cratera de halo escuro Beaumont L:

Diâmetro:  4 Km;

Profundidade: 900 m;

Coordenadas Selenográficas: LAT: 14.4° S, LON: 30.0° E.

A pequena e destacada Cratera Beaumont L (diâmetro:  4 Km, profundidade: 900 m, coordenadas selenográficas: LAT: 14.4° S, LON: 30.0° E), localizada na metade oeste do Mare NECTARIS, representa uma ocorrência de cratera de halo escuro. Durante um voo orbital da missão APPOLO 14, os astronautas notaram na Cratera Beaumont L, uma anomalia de coloração (apresentava-se meio “verde oliva” – devido à presença do material "olivina", mais tarde confirmado – veja mais abaixo a imagem de Beaumont L  no “Albedo Color Map” da NASA e a foto da tripulação da missão APOLLO 14). Anos mais tarde, a sonda lunar robótica LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA, executou fotos de “close up” da pequena Cratera Beaumont L, levantando dados geológicos e revelando um minúsculo e baixo pico central, escondido no fundo da cratera.

Pesquisas realizadas com o uso de modernas câmeras e outras tecnologias embarcadas na sonda lunar americana LRO, capturaram detalhes morfológicos e forneceram evidências de que a Cratera Beaumont L tem sua origem num impacto e não em processos vulcânicos. Análises mineralógicas da composição do material de Beaumont L indicam a presença de uma unidade de “cryptomare”. Assim, a pequena Cratera Beaumont L escavou materiais abaixo da superfície e ajudou revelar a existência de material com composição característica de “cryptomare”, colaborando com isso, no entendimento da história geológica da sua região.

O “cryptomare” revelado pela escavação do impacto que criou a Cratera Beaumont L é rico em olivina (material esverdeado presente em rochas ígneas). Estudos sobre os aspectos e caractrísticas do albedo de Beaumont L, indicam que sua tonalidade escura esverdeada é completamente atribuída aos depósitos de olivina, sem qualquer adição de vidros, cinzas ou materiais derretidos.

ImagemA pequena Cratera Beaumont L fotografada em voo orbital pela tripulação da missão APOLLO 14. Note a coloração diferenciada - NASA.

ImagemA pequena Cratera Beaumont L fotografada em voo orbital pela sonda lunar robótica LRO da NASA.

ImagemRegião da Cratera Beaumont L que consta do "Albedo Color Map" da LRO. Note a coloração diferenciada da pequena cratera.

ImagemO perfil altimétrico SW - NE da pequena Cratera Beaumont L - note como o montículo central é baixíssimo - LRO QuickMap.

Foto executada com apenas 1 frame em 25‎ de ‎junho‎ de ‎2012, ‏‎18:46:34 (21:46:34 UT).

Foto executada com apenas 1 frame em ‎13‎ de ‎abril‎ de ‎2016, ‏‎18:31:36 (21:31:36 UT).

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